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A
S A N T A B Í B L I A
P E N T A T E U C O
(O TESTAMENTO DA ETERNA ALIANÇA)
José Haical Haddad
C A P Í T U L O
O
L I V R O
A
D E
I
G Ê N E S I S
C R I A Ç Ã O
1.1. - A ORIGEM
b
O homem é atormentado pela consciência que tem da inexorável morte; morte, o
término da existência a revelar-lhe a vida; vida, o pulular de vários matizes e formas a revelar-lhe um ordenamento; ordenamento inteligente, a revelar-lhe a Criação; Criação, a revelar-lhe o Criador: - Deus:
“Sua realidade invisível - seu eterno poder e sua divindade - tornou-se inteligível, desde a criação do
mundo, através das criaturas...” (Rm 1,20).
A origem é um desafio à inteligência e a existência é um mistério ainda não desvendado. O homem quer conhecer a origem de tudo e a finalidade da existência. Percebe que na
natureza tudo é cíclico: começa o dia que atinge o seu clímax, termina e reinicia em outra
manhã; igualmente as fases da lua; também, as estações do ano a anunciar em cada primavera o reiniciar e a continuidade existencial: novos frutos, novas ninhadas e novos seres. Tudo
recomeça. Tudo inspira novo começo e um fim à vista.
Tudo isso se insinua em um recomeço após a morte e sente anseio pelo que esse desenrolar lhe sugere. Assim como termina tudo deve ter um começo. E então procura o começo de tudo e a própria origem. Tem a esperança de que o conhecimento da origem de tudo
venha a lhe revelar para que existe: só quem sabe de onde vem, sabe para onde vai e a que se
destina. Busca então localizar as minúcias tanto físicas como cronológicas da sua origem
obscura. Também os contornos e detalhes que desconhece da criação, origem e formação
tanto de si mesmo como de tudo o mais que existe e o cerca.
Porém, o Homem só pôde conhecer alguns traços ainda indecifráveis e complexos de
seu pequeno e esparso percurso histórico fossilizado nas sucessões cronológicas da sua existência, manifestando-se aqui e acolá disperso no mundo por onde passa. A origem real e
propriamente dita permanece um mistério, um enigma que ele não a consegue atingir. No
âmago de toda a dinâmica existencial, o homem é o mistério do homem: não sabe de onde
veio e não sabe para onde vai; e, não conhecendo o que precisa para se situar conscientemente nada sabe de si mesmo, nem mesmo o que é.
Para o narrador bíblico ou hagiógrafo não existe tal mistério insondável e nem se
preocupa com muitos detalhes e complexidades: para ele a origem e o fim de tudo é Deus, o
criador de tudo o que existe:
“No princípio, Deus (hbr = Elohim) criou o céu e a terra. Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo. O Espírito (=sopro) de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,1-2).
Seus conhecimentos, sua ciência, eram limitados àquilo, e somente àquilo que lhe
informavam os sentidos nus, o que via e ouvia. Não possuía telescópios nem microscópios,
desconhecia qualquer fenômeno físico, químico ou bacteriológico, bem como desconhecia
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por completo toda e qualquer conquista científica. E com os parcos recursos de que dispunha
traçou a linha de sua concepção humana da Obra de Deus, então conhecido por “Elohim =
deuses”.
Nasceria assim a primeira teoria científica da origem de tudo que o envolvia, profundamente mesclada com a concepção religiosa e doutrinária, condicionada à sua época e mentalidade. Por causa disso torna-se sumamente injusto avaliar a sua teoria ou o seu desenvolvimento com base nas conquistas modernas, exigindo-se dele conhecimentos que não possuía. É indispensável se deslocar à sua cultura para melhor o compreender, separando-se ainda
a verdade religiosa aí mesclada por revelação e inspiração de Deus já que ninguém presenciou o Princípio e a Obra da Criação. O narrador expõe tudo com simplicidade sem se deixar
prender e perder por mitos, superstições, fantasias ou lendas apesar de estar tudo paradoxalmente mesclado nela. Então, quando diz que Deus criou o céu e a terra, diz que Deus criou
tudo o que existe já que tudo o que via e conhecia era todo o seu universo, que se resumia ao
que seus sentidos lhe informavam. Não conhecia nem poderia conhecer as galáxias ou outros astros do sistema solar ou do universo astronômico. Nem poderia imaginar a constituição da matéria, a molécula, o átomo e sua estrutura infinitesimal; nem muito menos outros
campos do saber humano atual tais como as bactérias, os protozoários etc. ou qualquer outro
fenômeno físico, animal ou vegetal.
1.2. - A CRIAÇÃO
Para ele nada do que existe, existe sem Deus; no princípio tudo foi criado por Deus e
caminha inexoravelmente conforme os Seus desígnios sem mistérios, sem complexidades e
com a simplicidade inspirada por uma fé rudimentar e intuitiva. Diz apenas e vigorosamente
que tudo começou a partir do impulso propulsor e ordenador da Palavra de Deus, mostrando-O assim onipotente e transcendente, bem destacado e não se confundindo com a Criação:
“Deus disse: „Haja luz‟ e houve luz” (Gn 1,3).
Deus, no começo, afasta as trevas e cria a luz para ver a obra em andamento e como
estava sendo feita, tal como a cultura antropomórfica de então, concebendo-O como Homem
que não trabalha no escuro. Quando amanhece parece à primeira vista que a luz do dia precede a luz do sol, qual seja o dia começa a clarear antes da surgir a luz solar, como se distinguissem. Porém, a luz do dia é a luz do sol, mas ao narrador havia a distinção que se percebe
a olhos nus, e sem o menor conhecimento científico. Não sabia que a luz do sol gasta aproximadamente oito minutos para atingir a terra. Para ele coexistiam ambas, distintas e separadas. Por isso, na sua concepção, Deus a cria antes de criar o sol, qual seja e melhor dizendo,
independentemente da criação dele. Criou a luz erradicando as trevas (Gn 1,2), como que
prevendo o big-bang da ciência atual, e facilitando assim a explosão da matéria, da vida e do
calor criados pelo Espírito [sopro] de Deus [Elohim] (Gn 1,2). Daí então, a Criação se desdobra vertiginosamente em sequência culturalmente lógica para o narrador e em ordem sistemática delimitada em espaços uniformes de tempo, em dias seguindo uma evolução sistemática, não espontaneamente como Darwin ou Teilhard de Chardim pretenderam, mas, conforme Deus (Elohim) pronunciava Sua Palavra [“... e Deus (Elohim) disse...”, “... e Deus
(Elohim) chamou...”]. Isso tudo traz à baila as cinco vias de Aristóteles e São Tomás de Aquino demonstrando a existência do „Primeiro Motor‟ da Criação, dando o empurrão inicial:
Deus:
“Deus (Elohim) chamou à luz dia e às trevas noite. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia” (Gn
1,5).”
O mundo de então foi concebido como um grande volume cheio de água onde tudo já
se encontrava confusamente disposto que Deus (para maior compreensão usaremos sim-
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plesmente Deus) vai formando e ordenando, tal como se a Terra toda fosse um feto na placenta rodeado de líquido:
“Deus disse: Haja um firmamento no meio das águas e assim se fez. Deus fez o firmamento, que separou
as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento, e Deus chamou ao firmamento céu. Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia” (Gn 1,6-8).
Desconhecendo as leis físicas da evaporação da água, da formação das chuvas, e
vendo-as a olho nu caírem, supôs que tanto havia águas no azul do céu como no mar azul:
“Deus disse: „Que as águas que estão sob os céus se reúnam numa só massa e que apareça o continente‟, e
assim se fez. Deus chamou ao continente terra e à massa das águas mares, e Deus viu que isso era bom”
(Gn 1,9-10).
Delimitou Deus a terra e desse modo a separou dos mares. Estavam assim preparados
os ambientes para a criação, geração e propagação dos vegetais, ervas e frutos com o que se
deu a erradicação da aridez da terra virgem:
“Deus disse: „Que a terra verdeje de verdura: ervas que deem semente e árvores frutíferas que deem sobre
a terra segundo a sua espécie frutos contendo a sua semente‟, e assim se fez. A terra produziu verdura: ervas que dão semente segundo a sua espécie, árvores que dão segundo sua espécie frutos contendo sua semente, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia” (Gn 1,11-13).
A vegetação e as árvores, bem como as ervas que cobrem a superfície da terra não
são imanentismos dela, mas gerados dela e nela pela Palavra de Deus, fonte de tudo o que
existe e nada vindo à existência sem que Ele chamasse:
“Deus disse: „Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais, tanto para as festas quanto para os dias e anos; que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a terra‟, e assim se fez. Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro para governar o dia e o pequeno luzeiro para governar a noite, e as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a
terra, para governarem o dia e a noite, para separarem a luz e as trevas, e Deus viu que isso era bom.
Houve uma tarde e uma manhã: quarto dia” (Gn 1,14-19).
Aquela luz já criada é depositada em receptáculos apropriados à sua distribuição durante a noite e durante o dia. Não são os luzeiros seres absolutos a ponto de se tornarem até
mesmo objetos de adoração pagã, mas advindos da Criação de Deus. Recebeu de Deus a
missão de comando e direção da luz principalmente para as funções fundamentais da vida e
indispensáveis à existência:
“Deus disse: Fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos e que as aves voem acima da terra, diante do
firmamento dos céus, e assim se fez. Deus criou as grandes serpentes do mar e todos os seres vivos que
rastejam e que fervilham nas águas segundo sua espécie, e Deus viu que isso era bom” (Gn 1,20-21).
Não bastava criar os seres vivos. Era preciso dotá-los de fecundidade para a propagação e perpetuação da espécie. Deus então os fecunda, tornando-os férteis e capazes de se